Cena 1 – Auto-Atendimento de uma Agência Bancária – 13:00hs
Uma senhora pendurada num celular ocupa durante mais de 10 minutos um terminal. As meninas do Posso Ajudar acham a situação estranha e chegam próximo oferecendo auxílio. A senhora as despacha veementemente, continua no celular e ininterruptamente no terminal.
Cena 2 – Minha Mesa – 13:20hs
A mesma senhora pede para falar comigo. Senta-se na minha mesa e um tanto sem graça dispara a primeira frase: “- Eu acho que caí num golpe”.
Pedi para me narrar o acontecido. Diz ter recebido um telefonema “Caminhão do Faustão” e que havia sido premiada. Para receber seu prêmio, teria que pagar uma espécie de taxa pelo carreto, bastaria ir na agência bancária e realizar algumas transferências bancárias . Foi à agência e com o celular em punho começou a disparar as transferências. No momento em que as meninas do Posso Ajudar se aproximaram, a pessoa do outro lado do celular mandou que a senhora não aceitasse ajuda em hipótese nenhuma. Assim que terminou a operação caiu em si e resolveu me procurar.Antes de verificar as contas que receberam as transferências, tive que ser franco e direto: “ A senhora tem razão, a senhora caiu num golpe”. Verifiquei as contas que receberam as transferências, todo o dinheiro havia sido sacado destas imediatamente. Foram aproximadamente R$ 4 mil reais transferidos para 3 contas de diferentes titularidades.
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Você deve estar pensando: Ah! Ninguém é ingênuo suficiente para cair nesse tipo de golpe! Ou Deve ser gente humilde, sem esclarecimento, que mora na periferia. Ledo engano. As pessoas caem sim nesse tipo de golpe e não apenas gente de baixa escolaridade, nesse caso foi uma funcionária pública federal aposentada, moradora do Leblon.
Você deve estar pensando: Ah! Ninguém é ingênuo suficiente para cair nesse tipo de golpe! Ou Deve ser gente humilde, sem esclarecimento, que mora na periferia. Ledo engano. As pessoas caem sim nesse tipo de golpe e não apenas gente de baixa escolaridade, nesse caso foi uma funcionária pública federal aposentada, moradora do Leblon.
Outro Dia - Outra Cena:
Faço a liberação de um Fundo de Garantia de uma moça, aproximadamente 30 anos. Ela vai em direção ao elevador para ir ao guichê do caixa e receber o dinheiro. Ao abrir a porta do elevador se depara com um cheque no chão. Um senhor entra junto com ela no elevador, pega o cheque no chão e pergunta: - É da senhora? Ela responde que não. O elevador chega no andar dos caixas, a porta se abre e um senhor do lado de fora exclama: “- Graças a Deus vocês acharam meu cheque, eu estava desesperado atrás dele achando que o tinha perdido”. Agradece muitíssimas vezes para a moça e para o senhor que estava com ela no elevador. “Tenho que dar uma recompensa para vocês, vocês não sabem como me ajudaram, faço questão!”. A moça recebe seu FGTS no caixa e juntamente com os 2 senhores deixa a agência. O senhor, dono do cheque diz: “Olha, já falei com o meu pai pelo celular, você pode ir ali na nossa loja , a Pontapé, que ele vai te dar a recompensa”. Deu o endereço da loja, que ficaria a umas 2 quadras dali. Apenas pediu: - enquanto você for lá, só me deixa sua bolsa como garantia que assim você voltar eu te devolvo. A moça deixou a bolsa e atravessou a rua em direção a loja, assim que chegou do outro lado da rua caiu em si e pensou: “Ei, isso não está certo”. Virou-se para os 2 senhores do outro lado da calçada, neste momento cada um deles correu para um lado diferente, carregando a sua bolsa e todo o dinheiro suado do seu FGTS de anos de trabalho. Até hoje eu não entendi essa garantia, garantia de que? Mas enfim, aconteceu.
Sexta-Feira, dia 3 de dezembro – 11:16
Uma senhora de bengala saca R$ 1.200,00 no caixa e se encaminha para o elevador com intenção de sair da agência. Enquanto o elevador não chega, vai arrumando seu dinheiro e documentos na bolsa. Nesse momento chega por trás uma mulher de aproximadamente 40 anos e lhe diz:
- Eu conheço a senhora!
A senhora de bengala olha para a mulher e responde: - É possível, seu rosto não me é estranho.
- Eu moro no mesmo prédio que a senhora
- Em que apartamento?
- No 302.
- Na casa da Fulana?
-Isso, eu moro com ela.
A porta do elevador se abre e as 2 saem juntas da agência. Até esse momento eu consegui, posteriormente, ver as imagens do circuito interno de TV.
As duas vão juntas para casa, já que “moram no mesmo prédio”. A velhinha dá um parada antes numa farmácia, sua “vizinha” a ajuda, segurando a sacola das compras na farmácia. A "vizinha” sobe numa balança, se pesa. Insiste para a senhora se pesar também. A senhora sobe na balança e a “vizinha” diz: - Deixa eu segurar sua bolsa para a senhora se pesar. A velhinha lhe dá a bolsa e o resto da história eu não preciso contar, né?
Pois é, contei 3 pequenas histórias, aparentemente ridículas, das inúmeras que tenho presenciado. Sim, as pessoas caem nos golpes mais esfarrapados e absurdos, independente de classe social, poderia escrever um livro sobre o tema. O golpe do Caminhão do Faustão já apareceram uns 3 na minha mão, mas as pessoas ficam cegas quando ouvem dizer que ganharam prêmios e só nos procuram após terem feito a bobagem, quando já estamos com as mãos atadas e com muito pouca coisa de útil a fazer.
Outro aspecto importante, nunca aceitem ajuda de estranhos, principalmente em auto-atendimento. No máximo das meninas do Posso Ajudar. Na semana passada um senhor estava sacando dinheiro do terminal, quando uma moça pediu ajuda no terminal vizinho, justamente na hora em que ia sair o dinheiro da máquina. O senhor gentilmente foi ajudá-la. Resultado: Veio uma outra mulher por trás, pegou o dinheiro do senhor e se mandou. Quando ele voltou para seu terminal, já não havia dinheiro. Essa cena também pude presenciar nas imagens.
Evitem dar papo na fila do caixa para aquela pessoa simpática que começa a puxar assunto.
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Uma lição de moral: Nada vem de graça, dinheiro honesto vem sempre acompanhado de suor e trabalho. Desconfie sempre de facilidades, prêmios e recompensas dentro de um banco, que não seja feito por um funcionário portando crachá.
Uma lição de moral: Nada vem de graça, dinheiro honesto vem sempre acompanhado de suor e trabalho. Desconfie sempre de facilidades, prêmios e recompensas dentro de um banco, que não seja feito por um funcionário portando crachá.
Outro e desconfortável assunto a tratar, sim, já vi inúmeros casos de golpes dos próprios parentes. Nesse tenho um caso curioso. Uma senhora, advogada, solicitava o ressarcimento de vários débitos e despesas em sua conta feitos através do seu cartão. Negava veementemente tê-los feito. Fomos verificar se o cartão havia sido de fato clonado ou não. Fizemos um levantamento e achamos suspeito que todas as despesas foram realizadas em estabelecimentos a poucas quadras da residência da senhora, detalhe, essas despesas foram feitas todas de madrugada, em boates, inferninhos e puteiros de Copacabana. Conseguimos achar um saque em sala de auto-atendimento, o que seria importante pois teríamos as imagens, ali constatamos que o saque na conta da senhora foi feito pelo próprio neto, devidamente acompanhado de uma hummmm....”distinta senhora” de escassos trajes. Quando a senhora ia dormir, o neto roubava o cartão e ia para a gandaia.
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Acreditem, existe gente que guarda o cartão de banco junto com a senha. Resultado: Já fui chamado em Delegacia para ajudar a Polícia a esclarecer um caso em que a empregada limpou a conta da patroa, sacando todo dia R$ 1.000,00 e ela não percebia. O total do prejuízo foi de R$ 18.000,00.
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Acreditem, existe gente que guarda o cartão de banco junto com a senha. Resultado: Já fui chamado em Delegacia para ajudar a Polícia a esclarecer um caso em que a empregada limpou a conta da patroa, sacando todo dia R$ 1.000,00 e ela não percebia. O total do prejuízo foi de R$ 18.000,00.
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Enfim, muito cuidado dentro de um banco, os espertalhões estão por toda parte e infelizmente não lhes falta pessoas boa fé para cair na sua lábia.









O famoso Insiquereitor